11/09/2016

Homens no Crochê

  Estou muito feliz em ver tantas notícias, fotos, vídeos de homens quebrando barreiras, preconceitos, uns guerreiros, parabéns a cada um de vocês ! 

Quero estudar este tema e ajudar contribuindo para a quebra de mais este preconceito do mundo em que vivemos. 





Homem na Agulha: Porque não tem nada de errado em ser homem e fazer tricô e crochê


Duas agulhas e uma ideia na cabeça: reaproximar os homens do bordado.
A primeira vez que Thiago Rezende se dedicou às linhas e lãs foi durante um trabalho para a faculdade de artes visuais, pouco mais de seis anos atrás. O crochê só viria em março de 2012, por conta de uma exposição de design em que ele participou no SESC Pompeia, na zona oeste de São Paulo. Daí para criar o projeto Homem na Agulha e sair por aí com aulas práticas – que ele gosta de chamar de intervenção – foi tudo muito rápido.

O Thiago é esse aí da parte inferior da foto. E esse "tapetão" é uma das obras dele
Contestar a imagem de que a atividade é feminina não estava no pacote inicial. A ideia era explorar o trabalho manual e usá-lo para criar arte e peças de decoração.
Mas olhares desconfiados surgem quando Thiago Rezende retira as agulhas enormes da sacola, se senta numa praça e passa fazer os pontos das peças.
Ele jura que nunca passa disso. Em geral, mesmo os homens, sentem-se à vontade com a função com poucos minutos. “Em Jacareí, teve um dia com dez homens por lá. Em meia hora eles pegaram o jeito e perceberam que é gostoso. Que é uma bobagem ficar com isso de ‘atividade para homem’ e ‘atividade para mulher’”.

No começo, o tricô era uma coisa meio solitária para o Thiago

Pode parecer coisa nova, mas Thiago não inventou a roda. O espanto é parte de um componente cultural. Se a imagem mais comum para boa parte das pessoas é a da avó bordando, é bom lembrar que ainda há muitos lugares onde são os homens os artesãos. Bordar era, aliás, coisa para homem inicialmente. Segundo a revista portuguesa Magazine, a coisa é bem antiga:
Ninguém sabe como ou onde surgiu o tricô, apesar de as peças mais antigas – datadas de 1200 d.C. e feitas em ponto meia, um dos mais básicos – terem sido descobertas no Egito, entrelaçadas com a ajuda de agulhas de osso ou madeira. Já nessa altura eram os homens que tricotavam, usando o fio que as mulheres produziam manualmente com a roca de fiar.
 

O Luiz (dir) chegou para dar um novo gás no Homem na Agulha
  • Luiz Cambuzano é amigo de Thiago de longa data. Os dois trabalharam juntos em exposições no SESC anos atrás. Mas agora perambulam juntos para divulgar o trabalho e o bordado. Santo André, São Paulo e Jacareí já foram visitadas. Outras tantas cidades estão por vir. Em Portugal, por exemplo, os homens já começaram a quebraram essa barreira. Por que não funcionaria aqui? E ao que parece, a atividade é terapêutica e capaz de beneficiar corpo e a mente.
    Brasil Post conversou com os dois homens da agulha sobre um pouco disso tudo:
    Brasil Post: Como é que funciona o trabalho e de onde veio a ideia?
    Felipe: O Thiago começou a ser chamado para fazer intervenções. A gente chama de intervenção essa uma ação de tricotar num determinado lugar. Porque as pessoas não tem hora para chegar nem para sair. Também não tem exatamente o que aprender. A pessoa dispõe o tempo que ela tem. Se a pessoa já souber (tricô ou crochê), pode chegar e fazer no tempo que ela tiver. Se não souber, a gente ajuda, ensina, conversa... Tenta fazer ela entender e se interessar. Como esse material que as pessoas criam durante a intervenção, produzimos um objeto. Mas é um objeto mais artístico mesmo. Não é um roupa, uma colcha, um tapete.
    O Thiago tem agulhas do tamanho de cabos de vassouras. A ação performática é feita para chamar a atenção mesmo. Também tem o fato de ser homem. Isso sempre chama a atenção das pessoas e o desejo de discussão em torno desse trabalho.

    De onde nasceu a ideia e o nome do projeto? Tem um certo estigma que diz que tricotar é coisa de mulher?
    Thiago: Aprendi a fazer crochê e tricô e acabei me especializando em crochê porque ele é mais versátil. Dá para criar desde formas tridimensionais até trabalhos planos. Mas foi estranho até para mim. Já era artista plástico e me formei em 2009. Trabalhava e tudo. Só em 2012, quando comecei a fazer um pouco de crochê. Experimentava os pontos e eu mesmo me achava estranho segurando aquela agulha. É tido como uma coisa muito feminina. Depois me acostumei a aprendi a usar bastante no meu trabalho. E passei a inserir o crochê e o tricô na minha produção de arte.
    E como é para os homens que se aproximam de vocês?
    Thiago: Hoje percebo que para as pessoas é o mesmo que aconteceu comigo. Primeiro é estranho, mas depois eles percebem que não tem influência alguma. Eles percebem que a gente não está brincando de fazer crochê. Uma coisa que sempre falo nas intervenções é o quanto é cultural. Se você nasce numa cidade que o homem faz tricô você não pensa nisso. Antes, o homem fazia o crochê e a mulher fazia o fio. Depois isso foi mudando, mas ainda há cidades com muitos artesãos. Se você cresce numa cidade dessas não é novidade nenhuma. Mas em São Paulo ainda tem essa coisa do estigma.
Fonte: http://www.brasilpost.com.br/2015/06/28/homens-na-agulha_n_7676208.html

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